quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Moção de Solidariedade a Daniel Dambroswski


Trabalhadores da UFSC em Assembleia Geral aprovaram uma moção de solidariedade ao trabalhador Daniel Dambrowsli, ameaçado de exoneração por ter realizado a luta pelas 30 horas.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Daniel: competência no trabalho

Depoimento da trabalhadora Sandra Carrieri, que conviveu com Daniel Dambrowski quando este esteve lotado no Colégio de Aplicação. Daniel foi avaliado negativamente no seu estágio probatório e está ameaçado de exoneração. A luta dos TAEs é para que a avaliação seja revista uma vez que está eivada de irregularidades.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Greve das 30 horas: a vingança continua



Daniel, de camisa preta, foi incansável na greve das 30 horas e agora é punido por isso.

Notícia da exoneração do trabalhador Daniel Dambrowski, que foi um dos líderes da greve das 30 horas em 2014, mobiliza os técnico-administrativos da UFSC. A medida de desligamento do trabalhador, que à época da greve estava em estágio probatório, segundo consta no processo, foi encaminhada pela reitora Roselane Neckel, nos últimos dias de mandato.

O começo 
   
Os trabalhadores técnico-administrativos da Universidade Federal de Santa Catarina fizeram história em 2014 quando deflagraram uma greve de ocupação. Em vez de parar os trabalhos, como é normal nas greves, eles ofereceram ainda mais opções de horário para a comunidade. Era a greve da luta pelas 30 horas, na qual os trabalhadores se organizaram e garantiram que a universidade atendesse das 7 da manhã até às 22h sem interrupção, com a montagem de turnos de seis horas.  

A greve foi deflagrada depois de um longo processo de luta que incluiu um relatório completo sobre a situação funcional da UFSC, apontando a possibilidade concreta dos turnos de seis horas, que significaria redução de jornada e ao mesmo tempo mais opção de horários para usufruto da comunidade. Os trabalhadores entendiam que os avanços tecnológicos criados pelo homem já permitiam a redução de jornada, bem como a estrutura da UFSC já se prestava a isso. Não se baseavam no nada, e sim no decreto lançado em 1995 (decreto 1.590), que definia ser possível a flexibilização de jornada nos setores que permanecessem abertos por mais de 12 horas ininterruptas.

Naqueles dias, a reitoria era comandada por duas mulheres - Roselane Neckel e Lúcia Pacheco – que inclusive tinham sido eleitas com propostas mais à esquerda. Mas, contraditoriamente foram as dirigentes mais violentas contra os trabalhadores. Mesmo tendo aprovado a criação do grupo Reorganiza, para estudar a implantação das 30 horas, terminado o relatório, a administração se recusou a reconhecê-lo. Foram muitas as tentativas de conversa, reuniões e diálogo que não encontraram eco nas reitoras. A greve foi, então, inevitável.


A greve das 30 horas foi um dos mais bonitos movimentos dos trabalhadores da UFSC nos últimos tempos. Levantou em luta, principalmente os mais jovens, os que entraram depois da longa noite de destruição das universidades vivida durante o governo de FHC. E, como não era uma greve que parava os trabalhos, foi acolhida de maneira surpreendente pela comunidade. A universidade vibrava com a movimentação dos trabalhadores que, além de garantirem a abertura da UFSC das 7 às 22h, ainda realizavam uma série de atos buscando o diálogo com a reitoria.

Foi também a greve que mais ataques recebeu por parte de uma administração. A reitora Roselane Neckel fugia de qualquer contato, sempre enviando seu chefe de gabinete para a realização do “trabalho sujo”, que era de reprimir e invisibilizar a luta dos trabalhadores. Não reconhecia que a UFSC tinha condições de trabalhar em turnos e não aceitava os resultados do grupo de trabalho Reorganiza, que ela mesma criou. Pela primeira vez na história da UFSC um dirigente criminalizava a luta dos trabalhadores, entrando na justiça. Roselane nunca reconheceu que havia uma greve, cortou salários de quem estava no movimento, outra coisa inédita, e mandou dar falta injustificada para todos os grevistas.

Até aí tudo dentro da “normalidade”, afinal, greve é um risco. Mas o que ficou de perplexidade foi ver uma dirigente desconhecer uma luta tão forte e inédita, na medida em que ampliava o trabalho, para o melhor conforto da comunidade. E foi tanta dureza, e ataques e violência, que os trabalhadores encerraram a greve, derrotados. A universidade voltou a fechar no horário do meio-dia e os estudantes do período noturno voltaram a ficar sem as secretarias de curso e as pró-reitorias.

O pós-greve também foi traumático. Nunca um setor de pessoal fora tão agressivo e duro com os trabalhadores. Ainda assim, depois, com muita batalha, foi possível reverter parte do abuso praticado pela administração que cortara o ponto de quem nunca havia parado de trabalhar. A própria justiça deu ganho de causa aos servidores, pois como era uma greve de ocupação, não poderia ter havido falta. Mas o salário não foi devolvido, e nem as faltas foram eliminadas ainda.

Contudo, a guerra da administração contra os trabalhadores não parou por aí. Havia que perseguir e derrotar no cotidiano as jovens lideranças que haviam assumido o comando da luta pelas 30 horas, a despeito do Sindicato que praticamente se omitiu. E assim, começaram a aparecer os casos de violência e assédio nos locais de trabalho. Vários trabalhadores que tinham sido protagonistas da greve chegaram a adoecer gravemente, tendo, inclusive, que se afastar do trabalho por causas médicas. Alguns tiveram de se afastar, outros ficaram, a duras penas, enfrentando o cotidiano de assédio. Foi um tempo de grande tristeza, pois os ataques aos lutadores também colocavam medo nos demais trabalhadores. A paz na UFSC era de cemitério.

Em 2015 a universidade viveu eleições para reitoria e a então reitora Roselane Nekel foi derrotada fragorosamente, ficando em quarto lugar na disputa. Assumiu em maio de 2016 o professor Luis Carlos Cancellier.

Contra os trabalhadores, tudo!

Mas, a herança de violência da administração passada não haveria de acabar aí. Surpreendentemente, na primeira semana de dezembro, um dos jovens líderes da greve das 30 horas, que na época estava em estágio probatório, é chamado na Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas para ser avisado que seria exonerado no dia 9 de dezembro. A expulsão da universidade do trabalhador Daniel Dambrowski fora possivelmente o último ato da reitora Roselane Neckel, antes de sair. O motivo para isso foram duas avaliações negativas recebidas pelo trabalhador.

Quando alguém está em estágio probatório, precisa passar por três avaliações. A primeira, quando Daniel não estava ainda mergulhado na luta, foi boa. A segunda, quando Daniel estava inclusive, dispensado de parte da jornada de trabalho para participar do grupo Reorganiza, com portaria assinada pela própria reitora, foi ruim. E, de maneira irregular, foi assinada por uma única pessoa, quando a comissão precisa ter três pessoas. Naqueles dias, como Daniel estava mergulhado no trabalho de diagnóstico da UFSC, os membros do grupo de trabalho, no qual tinha também representantes da administração, fizeram uma avaliação muito boa do seu trabalho e encaminharam para ser registrada. Pois ela não foi considerada. Para efeitos de avaliação do trabalhador, contou apenas a que fora feita de forma irregular e que o reprovava.

O final da greve, a perseguição e a violência adoeceram Daniel e ele precisou se afastar para tratamento de saúde. Assim que a terceira avaliação feita depois do seu retorno acabou selando a sua exoneração. Mesmo estando afastado ele foi avaliado, e negativamente. Ou seja, pagou por adoecer. E não uma doença qualquer, mas provocada pelo assédio violento desde a greve e depois dela.

De maneira surpreendente, mesmo com todas as denúncias feitas, a Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas, agora dirigida pela trabalhadora Carla Búrigo, deu sequência ao processo. Para fechar, encaminhou à Procuradoria uma consulta sobre o caso. A pergunta feita aos procuradores já deu o veredito. O registro foi: considerando que o trabalhador em estágio probatório teve duas avaliações ruins, considera-se ele estável ou não? A resposta não poderia ser outra. Claro que não. Mas, em nenhum momento foi explicado que as duas avaliações feitas no período do trabalho do Reorganiza e depois da greve estavam irregulares.

A saída, como sempre acontece quando a burocracia é mais forte que a verdade, foi a mobilização dos colegas. Uma assembleia foi chamada e, com a presença do reitor, o caso foi relatado. A exoneração de Daniel é uma medida política, de punição, que não leva em conta as regras estabelecidas pela própria instituição. O processo está eivado de vícios. As avaliações foram irregulares.

No começo da conversa a pró-reitora e o próprio reitor deixaram claro que a decisão da Procuradoria não tinha como ser revertida. Por ser da área do direito, o reitor insistia que ele mesmo não poderia reverter o caso com uma canetada. “Há que cumprir as regras e os procedimentos legais”. E foi justamente esse o argumento de todos os trabalhadores que se manifestaram. Se há que seguir as regras, e elas não foram seguidas no processo, como dar seguimento a uma clara injustiça?

Ao final da assembleia, que se foi até a uma hora da tarde, o que se conseguiu foi que o processo agora estará nas mãos do advogado de Daniel e que ele terá um período de tempo para fazer sua defesa, coisa que não foi concedida no período das avaliações. Nesse sentido, a exoneração, que deveria ser oficializada nessa sexta-feira, está suspensa até que o processo retorne. A partir daí novas medidas serão tomadas.



Para os colegas – que conhecem a história de luta de Daniel Dambrowski – fica uma certeza: a medida foi política e injusta, e a luta pela sua estabilidade vai seguir. Assim como ele – junto com outras jovens lideranças  - não abandonou os trabalhadores na histórica luta das 30 horas, agora tampouco ficará sozinho. Somos todos Daniel. A injustiça não passará. 


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Trabalhadores exigem exoneração de pró-reitor

Os trabalhadores em greve realizaram assembleia e decidiram por exigir do reitor Luis Carlos Cancelier, a exoneração do professor Felício Margotti, por conta da agressão a um estudante do Centro de Comunicação e Expressão durante protestos na UFSC.

 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Reitoria lava as mãos na defesa da universidade pública

A nota lançada pela Administração da UFSC sobre o movimento de luta e ocupação que começa a crescer na UFSC é um sonoro lava-mãos.

Apesar de o Conselho Universitário já ter se posicionado contra a PEC da morte (agora de número 55, no Senado), a Administração Central preferiu jogar para as direções de Centro qualquer decisão que venha a ser tomada com relação às ocupações. Mas, deixou claro: “reconhece o direito de livre manifestação e opinião, resguardado o direito de livre acesso às dependências físicas dos centros de ensino, tais como salas de aula, laboratórios, clínicas e salas de trabalho, bem como a eventos já previamente agendados”. Ou seja, já incorporou o discurso do direito de ir-e-vir, tão caro à classe dominante. 

Sem comprometer-se com a luta em curso, declarou que não irá tomar nenhuma medida unilateral que caracterize intervenção nos Centros, todas as decisões estarão a cargo dos diretores, mas agirá em consequência caso seja solicitado. 

Também não assume nenhuma posição concreta com relação aos casos de agressão que vem se registrando cotidianamente por parte de professores e estudantes, que ameaçam, rasgam cartazes e provocam com violência verbal (e até fisica) os trabalhadores e estudantes. Na nota, a Administração limita-se a “rejeitar as manifestações de intolerância e violência”, mas, na prática, nada faz para coibir essas ações.

Ora, a administração deveria tomar uma posição firme sobre tudo isso. Ir à publico, ocupar a televisão, os meios de comunicação da Instituição, para deixar bem claro o que pode acontecer com a Universidade caso a PEC da morte passe. É bastante desolador que essa Administração, que se elegeu na crítica à ultima gestão, se comporte como ela, através de notas insossas e descomprometidas.

O reitor de uma universidade como a UFSC deveria ter o protagonismo nesse momento crucial de luta pela educação. Com a responsabilidade de quem comanda uma das mais importantes universidades do país, deveria misturar-se à luta, oferecer apoio aos estudantes que se mobilizam na defesa da educação e colocar todo o seu poder político para reforçar essa batalha que se trava em nível nacional. 

Num espaço onde circulam mais de 40 mil pessoas de todo o estado de Santa Catarina o mínimo que se poderia esperar de um reitor comprometido de verdade com a educação era sua imediata ação no sentido de informar às famílias dos estudantes tudo o que está acontecendo no país e os riscos que a Universidade Pública corre. 

Ainda é tempo. Esperamos o compromisso e o apoio concreto por parte da Administração.


TAEs Livres  - UFSC

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

NOTA DE REPÚDIO CONTRA AS AGRESSÕES OCORRIDAS NA ÚLTIMA ASSEMBLEIA DOS TAES NA UFSC (29/09/16)

O Movimento TAEs Livres vem a público relatar e repudiar os fatos de agressão ocorridos na última assembleia dos TAEs na UFSC, dia 29 de setembro, e, também, o silêncio e a conivência dos diretores do SINTUFSC presentes naquele momento.

Já se completariam 3 horas de uma assembleia saudável e pacífica, em que as divergências se limitavam a ideias políticas e ao diálogo, quando, fazendo uso de seu espaço para avaliação da conjuntura, o TAE Luiz Artur relembrou a decisão da assembleia anterior (22/09) em rebaixar a assembleia universitária (ocorrida também no dia 22) para um simples debate entre a comunidade acadêmica (TAEs, estudantes e docentes), tornando-a não deliberativa e apenas informativa, e criticou o fato de tal proposta ter partido de representante da FASUBRA e do SINTUFSC.

Diante do fato, em fala posterior, o TAE Jorge Luiz Fernandes (vulgo Jorginho), ao se posicionar quanto à crítica política apontada, passou a ofender a pessoa do Luiz Artur de "covarde", "você não é homem", "não tem atitudes de homem", bem como a de outros TAEs, chamando-os de "golpistas" e "acéfalos". Mesmo fora do microfone, Jorge, continuou gritando e ofendendo Luiz (que já estava mais afastado), apontando o dedo indicador em seu rosto. Foi então que houve uma aglomeração no local, e a TAE Brenda, que estava sentada distante do local, se levantou para filmar o fato com seu telefone celular. Quando esta se aproximou, Jorge deu um tapa no braço de Brenda, e retirou o aparelho de suas mãos, fazendo menção a um novo golpe físico contra a TAE. Então, vários rapazes que os rodeavam seguraram os braços de Jorge, no intuito de impedi-lo de mais uma agressão e de danificar o aparelho alheio que estava em sua mão. Então, a mesa suspendeu a assembleia e PERMANECEU CALADA E SEM INTERVIR no tumulto que ocorria, ficando apenas alguns diretores do Sindicato conversando entre si e bem afastados do local.

Ao redor do foco do tumulto, outros TAEs observavam e também filmavam o fato. Foi neste instante que Jorge, sendo afastado pelos rapazes, se dirigiu a outras duas mulheres que observavam e as xingou de “vagabundas”, solicitando que uma delas não o filmasse mais. Diante da recusa dela, também direcionou palavras de baixo calão a mais esta TAE.

Quando aparentemente a calma se reestabelecia, deu-se continuidade à assembleia. Novamente, nenhum diretor do SINTUFSC se manifestou quanto ao ocorrido, mesmo já sabendo que uma agressão física havia ocorrido. Passados alguns minutos, Jorge se encaminhou para a parte externa da Reitoria, onde se encontravam mais TAEs, entre eles, Rodrigo, e continuou a fomentar a discussão, por meio de xingamentos ao Rodrigo (“seu merda”), de intimidações aos colegas e de mais xingamentos à TAE que havia sido agredida fisicamente, Brenda (“vaca”, “vagabunda”). Diante do clima, a assembleia foi encerrada sem os encaminhamentos devidos. Mesmo após a finalização, foi possível ouvir o momento em que Jorge continuou xingando os TAEs de “vadios”, “vagabundos” e “quadrilheiros”.

REPUDIAMOS AS ATITUDES E AGRESSÕES DE JORGE LUIZ FERNANDES, machistas e desrespeitosas tanto aos TAEs envolvidos, quanto para todo o conjunto de trabalhadores, ainda mais por ser representante da FASUBRA.

REPUDIAMOS A OMISSÃO DA DIRETORIA DO SINTUFSC, representada na mesa por Juliane Silva da Silva, Dilton Mota Rufino e Celso Ramos Martins, além de outros diretores que estavam presentes na plenária, já que em momento algum se envolveram no conflito buscando apartá-lo, e sequer proferiram qualquer fala contrária às agressões ali protagonizadas pelo TAE antes identificado. Muito pelo contrário: ao final da assembleia, ele ainda foi cumprimentado pelo coordenador Celso.

Informamos que Boletins de Ocorrência foram registrados, e que serão tomadas todas as medidas cabíveis, pois fatos como este não podem ser esquecidos, e JAMAIS se repetirem.

O Movimento TAEs Livres reitera seu caráter de luta contra toda forma de opressão. Seguiremos lutando contra a opressão à mulher, denunciando toda forma de violência e exploração. O Movimento entende, também, que as divergências políticas entre os TAEs fazem parte do ambiente democrático, e, como em todos os espaços, devem ser debatidas na base do diálogo e das propostas, e nunca através de agressões verbais ou físicas, que não constroem a luta por uma UFSC e um país melhores. Pelo contrário, atitudes como essa acabam por afastar as pessoas dos ambientes políticos e dos espaços de discussão e decisão.

Seguiremos presentes nas assembleias e em todos os espaços políticos de discussão e decisão, fortalecendo a luta por melhores condições de vida e de trabalho dos TAEs, pela democracia dentro e fora da UFSC, pela participação de todos os interessados na vida política, prezando pelo respeito entre todos, e registrando e denunciando atitudes agressivas de e contra servidores públicos, em todo e qualquer espaço.