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terça-feira, 14 de junho de 2016

Eleições SINTUFSC 2016 - O preço dos debates

"Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?"
Bertold Brecht

A pergunta de Brecht mantém-se atual diante da eleição do SINTUFSC em 2016. Que tempos são estes em que até o mais trivial, como debates entre as chapas, precisa ser defendido contra a tentativa de boicotá-lo?

Diante da não sinalização de nenhum debate entre as chapas no cronograma das eleições, nossa Chapa protocolou na última quarta, dia 8 de junho, uma solicitação à Comissão Eleitoral, para que fossem realizados 7 debates nessa eleição (1 para Reitoria e Centros de Ensino, 1 para o HU, 1 para o CCA e mais 4 para os Campi da UFSC fora da capital). Para dar maior aval à proposta, havíamos solicitado que a mesma Comissão encaminhasse a proposta para ser debatida e aprovada na Assembleia que ocorreria na quinta, dia 9 (clique aqui para ver o documento).

Chegada a Assembleia Geral do dia 9, no momento de informes, o próprio presidente da Comissão Eleitoral, Sr. Ediwilson Ribeiro, fez uma fala sobre essa solicitação. Além de informar que por ele não haveria o encaminhamento daqueles 7 debates, ressaltou que se a Assembleia aprovasse a realização daqueles debates ele sairia da Comissão Eleitoral. Para suavizar sua posição, disse que talvez 1 (um) debate ele poderia assumir. Junto com essa postura do presidente da Comissão, o atual Coordenador Geral do SINTUFSC e postulante à reeleição, Sr. Celso Ramos Martins, buscou desqualificar aquela proposta, afirmando que não cabia a Assembleia decidir qualquer coisa sobre as eleições.

A tentativa de carteirada não passou em branco. Diversas manifestações que se seguiram lembraram os Sr.s Ediwilson e Celso dos dispositivos previstos em Estatuto e da necessidade de se realizar debates em uma eleição. Houve quem, inclusive, advertiu nossa chapa da insuficiência da proposta de 7 debates, uma vez que o SINTUFSC possui também representação nos Colégios Agrícolas, não mais vinculados à UFSC.

Diante da postura arbitrária do presidente da Comissão e do Coordenador Geral, outros membros da Comissão Eleitoral procuraram nossa Chapa, ali mesmo naquela Assembleia, para propor a realização de pelo menos 2 debates, que contariam com a transmissão por internet (para inclusão dos outros campi). A proposta foi para discussão em Assembleia e foi aprovada (http://www.sintufsc.ufsc.br/?p=18137). Não se trata daquilo que almejávamos, mas foi um começo.

Queremos lembrar aos nossos companheiros TAEs que não seremos tolerantes com esse tipo de postura arbitrária de esconder debates, principalmente quando a mesma parte de autoridades que deveriam ser as primeiras a defender esse tipo de proposta.

À Luta TAEs.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A universidade desde dentro

Relatos da reunião do Conselho Universitário
Por Elaine Tavares

Estou suplente no Conselho Universitário da UFSC. Mas, como é comum entre o grupo que se elegeu para representar os TAEs, o suplente acompanha todas as reuniões. Assim, podemos  acompanhar as discussões sobre as decisões mais importantes que a universidade como instituição precisa tomar. Já relatamos a nossa intervenção, como grupo,  no campo das Fundações. Em várias reuniões fizemos o bom debate sobre o papel dessas entidades privadas dentro da UFSC e conseguimos fazer com que, pelo menos as fundações avaliadas por nós, colocassem em prática sistemas de transparência na prestação de contas, com disponibilidade na rede mundial de computadores de todas as informações que a instituição e o público em geral precisa. Estamos acompanhando e vigilantes nesse ponto, uma vez que a UFSC ainda não prescindiu da ação dessas fundações no seu trabalho cotidiano. Nossa posição sobre essas fundações é clara: elas não são necessárias e a universidade precisa avançar para sua autonomia real.

A expansão

Nas últimas reuniões do CUn nos deparamos com os problemas vividos com a expansão desenfreada da universidade. Quem tem memória deve se lembrar que quando começou o frisson da expansão muitos foram o debates feitos sobre a rapidez do processo, a falta de planejamento e a falta de qualidade que poderia advir de toda aquela pressa. Foi até criado um fórum permanente que buscava apontar os problemas e impedir aquilo que hoje aparece como uma realidade. E, como sempre acontece, aqueles que se colocavam críticos do processo de expansão eram acusados de elitistas, entraves para o progresso da educação, além de outros adjetivos bem menos elegantes. Pois nas reuniões do Conselho não são poucas as demandas que vêm dos campi de Curitibanos, Joinville e Araranguá. Faltam professores, a estrutura não é adequada, faltam trabalhadores técnicos administrativos. E a pergunta que fica é a mesma que era feita no começo de tudo isso: que tipo de conhecimento recebe o aluno desses campi? Com todos os problemas causados por uma expansão às pressas?

Por outro lado, o processo segue avançando. E na reunião desse dia 13 de agosto, foi deliberado pela criação de mais um campus, dessa vez na cidade de Blumenau. Serão criados dois cursos de licenciatura (Matemática e Química) e três de Engenharia (Materiais, Têxtil e Controle e Automação). Segundo a reitora, foram visitadas outras cidades na região, mas Blumenau foi a que apresentou a melhor estrutura, contando inclusive com área já construída. Ainda segundo relato da administração esse novo campus não deverá apresentar os problemas dos outros três criados no contexto do Reuni. É uma espécie de pacote pronto que conta com cinco cursos, 123 professores e 171 técnico-administrativos. Para que se possa comparar, os demais cursos iniciaram com pouco mais de 20 professores e 23 técnico-administrativos.  De qualquer sorte, a proposta de universidade definida pelo MEC e UFSC, segue a mesma lógica de conexão com o setor produtivo local, sem preocupação com uma formação humana, histórica e social: que é a base da universidade. "Sem isso é como se fosse só uma escola de Nível Superior", lembrou a professora Sônia Maluf.

O conservadorismo petrificado

Também na reunião do dia 13 de agosto foi discutido um tema espinhoso. A proposta de exoneração de uma professora do Curso de Enfermagem, que está ainda no curso de seu estágio probatório. O relator do processo foi o professor Paulo Pinheiro Machado, que apresentou seu voto favorável a exoneração. Segundo ele, a documentação encaminhada pelas comissões que fizeram o acompanhamento e avaliação do estágio da professora estava bem amparada. A acusação era de que a professora tinha problemas de pontualidade, assiduidade e havia falado mal de alguns colegas.

No decorrer da leitura dos documentos e discussão do tema, vários pontos foram aparecendo que levavam a crer que o processo carecia de fundamentos mais firmes. Não havia documentação de chefia imediata informando as faltas ou os atrasos. Tudo esteve baseado em depoimentos orais. Também surpreendeu que a professora tivesse excelentes avaliações dos alunos e até mesmo dos colegas, que não apontavam problemas na sua ação como docente nem na sua produção acadêmica. Foram relatados alguns comportamentos considerados "estranhos", como o fato de a professora ter consolado uma aluna com problemas, de forma muito carinhosa.

Da bancada dos técnicos foi levantada a questão de que a instituição tem sempre a saída cômoda de expulsar qualquer pessoa que não se enquadre nos padrões definidos como "normal". Também foi lembrado que em vária situações, alunos realizam grande lutas contra a falta de competência didática de professores e nunca encontram guarida, nem nos departamentos muito menos no CUn. Problemas com assiduidade e pontualidade são comuns e praticamente ninguém é sequer chamado a atenção. Na bancada dos alunos também houve questionamento do fato de a professora ter a aprovação dos alunos. Por que isso não foi levando em conta? Até onde o comportamento pouco usual, afetivo e de companheirismo, da professora não era o real motivo da condena?

Outro elemento que chamou a atenção no debate foi a informação dada pelo relator, Paulo Pinheiro Machado, de que a professora era, antes de passar no concurso, uma trabalhadora do HU e que seu cargo estaria vago, podendo ela retornar ao mesmo. Ou seja, a impressão que dava era de que a professora tinha mais era que voltar para o seu lugar: de técnica, porque não tinha sido bem avaliada pelos docentes, então seus novos colegas.  Foi um momento bastante constrangedor.

Ao final, mesmo tendo sido feito um pedido por parte do professor Luis Carlos Cancellier, para que a legalidade do processo fosse avaliada pela procuradoria da UFSC, o que evitaria possível recurso à Justiça comum, a maioria não aceitou, votando contrário à proposta. Havia uma pressa em votar o parecer. Assim, nova votação foi feita, dessa vez, definindo se a professora era exonerada ou não. Foram 25 votos favoráveis à exoneração e 12 contrários. Os contrários foram da bancada dos técnicos, dos estudantes e três professores. Ficaram muitas dúvidas com relação ao tema, mas como estava em regime de urgência não foi possível pedir vistas.

Núcleo de Desenvolvimento Infantil

Outro ponto discutido na reunião foi o do Núcleo de Desenvolvimento Infantil. O MEC insiste em querer repassar o NDI para o âmbito do município, o que significaria a destruição de todo o trabalho realizado pelo núcleo ao longo de toda a sua história, que é o de servir de espaço para a prática de toda a teoria que é estudada e ensinada nos cursos de graduação que envolvem a educação infantil. Assim como o Colégio de Aplicação, o NDI faz parte da estrutura de ensino dos cursos de graduação e tirá-los do processo nada mais é do que a velha política de desmonte da universidade. Nesse ponto o conselheiro Hélio Rodak foi enfático: é necessário que a administração da UFSC tenha uma posição mais clara com relação ao projeto do governo federal para a educação como um todo. Segundo ele, não basta repudiar essa proposta em particular, porque o que está em questão é um projeto global de universidade.

De qualquer forma, foi decidido que será feito um documento para ser entregue ao ministro Mercadante, repudiando essa proposta e exigindo que o NDI permaneça vinculado á UFSC como o espaço de ensino que sempre foi. Essa é uma luta que, obviamente não acaba aí. Há que informar a comunidade universitária sobre isso, informar a sociedade catarinense, explicar a importância do NDI, para que os catarinense sintam-se seguros em defender a permanência do NDI vinculado à proposta pedagógica da UFSC. E, para isso, é preciso que a UFSC se comunique com mais eficácia. Tem sido muito ruim a comunicação da universidade com a sociedade. Sabe-se que há uma campanha da RBS contra a UFSC, por conta da retirada de verbas publicitárias, mas não é só a RBS que existe. Há centenas de rádios no interior, jornais e agências autônomas de notícias. Isso sem contar as redes sociais. É inexplicável que a Agecom não tenha uma conta no Facebook, por exemplo.