sexta-feira, 4 de dezembro de 2015



Retratos do dia em que o Conselho Universitário da UFSC reuniu-se em uma unidade da Polícia Militar e aprovou a transferência do Hospital Universitário à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).
Fazemos esse registro para que as próximas gerações não se esqueçam.
"Sólo le pido a Dios
Que el engaño no me sea indiferente
Si un traidor puede más que unos cuantos
Que esos cuantos no lo olviden fácilmente
" - Mercedes Soza
As imagens foram extraídas do vídeo "UFSC aprova EBSERH":































































                                      

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

EBSERH é aprovada dentro da Polícia Militar


















Durou 30 minutos a votação do Conselho Universitário que aprovou a adesão da Universidade Federal de Santa Catarina à Empresa de Serviços Hospitalares (Ebserh). Assim, numa tarde melancólica, sob a tutela da Polícia Militar, nas dependência de um quartel, a administração de Roselane/Lúcia coloca fim a décadas de vida de um hospital 100% público. Agora, administrado por empresa de direito privado, o HU vai conhecer a realidade das duas portas - uma do SUS e outra do plano de saúde, e toda a sorte de misérias que acontecem quando a saúde da população vira mercadoria.

Numa atitude que nem mesmo as reitorias que atuaram no regime militar tomariam, a reitora Roselane Neckel pediu à Polícia Militar para realizar a reunião nas dependências do quartel. E tudo isso porque não quis tolerar as manifestações de protestos de estudantes, professores e técnicos que exigiam que o Conselho Universitário respaldasse o plebiscito realizado na universidade pela própria administração, que deu a vitória a não adesão, em 70%.

Disposta a provar a adesão a reitora não seguiu nem mesmo os ritos liberais de livre manifestação de ideias. E, amparada pela força, colocou fim ao processo.

O local da reunião só foi divulgado de manhã cedo, embora o jornal Diário Catarinense  tivesse soltado uma nota com a novidade. Imediatamente a confirmação o professor Carlos Locatelli que era o relator da matéria, se manifestou dizendo que não participaria da reunião caso ela fosse mesmo realizada nas dependências da polícia. Em seguida, o parecerista de vista, professor Paulo Pinheiro Machado também solicitou que a reitora revisse a decisão e fizesse a reunião dentro da UFSC. Roselane se fez surda. A bancada dos técnico-administrativos também laçou nota dizendo que jamais participaria de um ato arbitrário e do que consideraram completa perda de autonomia.

Quando bateram as duas horas da tarde, os TAEs permaneceram em frente ao quartel junto com alguns estudantes e professores conselheiros que também não entraram. Mas, pouco a pouco, os pró-reitores, professores e representantes do DCE foram chegando e cumprindo os rituais da PM. Assinavam lista e mostravam documentos. A reitora chegou quando ainda nem era uma hora da tarde, para evitar encontrar algum manifestante. Dentro do quartel estavam dois grupos da tropa de choque, que realizaram alguns exercícios de manifestação de força, e por toda a rua circulavam policiais montados em motocicletas. No portão, uns dez soldados faziam guarda.

Durante toda a sessão o chefe de gabinete, professor Carlos Vieira, permaneceu na parte de fora do quartel, sentado no meio-fio, numa visão melancólica que bem representa essa gestão que encerra sua triste passagem pela UFSC. Roselane e Lúcia, as primeiras mulheres a dirigirem a Universidade entrarão para a história como pioneiras: foram as primeiras a cortar salário de trabalhador em luta, as primeiras registrar greve como falta injustificada ao trabalho, e as primeiras a realizarem uma reunião do Conselho nas dependências da Polícia Militar.  

Em menos de 30 minutos a votação estava realizada. Os conselheiros que aceitaram participar dessa triste sessão do CUn foram saindo com as caras amarradas, enquanto os estudantes gritavam "covardes" e "não nos representam". Apenas o professor Carlos Pinheiro,  o Maninho, saiu ironizando, rindo para os manifestantes e fazendo o V da vitória. Roselane e Lúcia escapuliram por alguma outra saída do quartel e não passaram pelo portão. E os representantes do DCE fugiram num carro, recebendo vaias dos colegas.  


A votação realizada sob a tutela da Polícia Militar foi de 35 votos à favor da Ebserh e dois contra. Participaram portanto 37 dos 61 membros do CUn. A história haverá de responsabilizar esses professores  e estudantes que entregaram o Hospital Universitário para mãos privadas. 

CONSELHO UNIVERSITÁRIO NA POLÍCIA MILITAR

Tendo em vista a decisão VERGONHOSA da Reitoria da UFSC em realizar a sessão do Conselho Universitário no Centro de Ensino da Polícia Militar, os atuais representantes dos Técnicos-Administrativos em Educação da UFSC vêm a público comunicar que NÃO PARTICIPARÃO da sessão.
É inaceitável que uma Reitoria, por mais conservadora que seja, transfira suas decisões para a tutela da PM, ainda mais quando essa mesma Reitoria insiste em se auto-intitular “democrática” e “aberta ao diálogo”. Participar dessa sessão seria referendar a violência institucional e respaldar a ditadura do silêncio. Se a situação hoje é calamitosa, certamente se deve à morosidade da Reitoria em abordar temas tão polêmicos e importantes.

Quando eleitos pelos nossos pares, nosso compromisso era com a democracia e a autonomia universitária, e assim seguiremos na defesa de nossas pautas, com seriedade, e não respaldando decisões unilaterais e vexatórias vindas da Reitoria contra o direito de manifestação da comunidade universitária. 

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

“Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem.”

Bertolt Brecht


Nota de repúdio à nota de repúdio da Reitoria

Causa-nos espanto a atual gestão produzir uma nota de repúdio da ocupação da sessão do Conselho Universitário do dia 24/11/2015. A mesma gestão que se conclama democrática e aberta ao diálogo, acirrou os ânimos da comunidade universitária ao procrastinar a entrada da EB$ERH na pauta do CUn. O relatório da Consulta Pública da EB$ERH está pronto desde maio, mas somente depois de perder a eleição a Reitora mandou o processo para o Conselho. O relator escolhido teve a responsabilidade de produzir, em apenas duas semanas, um parecer de um processo com cerca de 2000 páginas.

O HU/UFSC chegou nessa situação caótica para justificar a sua privatização. Se há algo a ser problematizado é o silêncio e a conivência das direções do Hospital e das Reitorias da UFSC em relação à precarização do nosso Hospital Universitário, culminando num debate simplório do “ser a favor ou contra o HU” por meio da adesão à EB$ERH.

A violência institucional travestida em renovação é uma marca da atual gestão, pois sustenta uma farsa que propicia uma tragédia e o acirramento dos ânimos de todos. Desde 2012, a questão da EB$ERH entrou em pauta na UFSC. A partir daí, a gestão Roselane e Lúcia, e os demais gestores, vêm se negando a fazer uma discussão madura e responsável sobre o tema, bem como já fizeram com outros temas de relevância institucional, como a jornada de trabalho dos técnicos-administrativos em educação e a institucionalização dos campi, por exemplo. Aliás, essa é a tônica dessa Administração: não dialogar efetivamente e sustentar uma posição pseudo-democrática. Os girassóis murcharam não somente pelo excesso de chuva. Roselane e Lúcia: a responsabilidade pela ocupação do CUn é de vocês!

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TAEs em luta!


Confira aqui a nota de repúdio publicada pela Reitoria da UFSC: 

 http://blogdagestao.ufsc.br/2015/11/25/nota-de-repudio-3/

Precariza e privatiza: eis a EB$ERH

No dia 17/11/2015 a EB$ERH entrou em pauta no CUn. Voltamos a ter uma intensa movimentação política no hall da reitoria, que se encontrou repleto de pessoas prós e contra a EB$ERH. A referida empresa é uma figura jurídica ilegal que se apresenta como a única saída capaz de regular os problemas dos Hospitais Universitários, os quais só se resolvem por vontade política; que só se resolvem pela ampliação de direitos sociais e de recursos destinados ao sistema público de educação e saúde.
A EB$ERH tem se mostrado incapaz de resolver os problemas vivenciados pelos HUs de todo país, e eventualmente tem contribuído para seu agravamento. Segundo a Frente Nacional contra a Privatização da Saúde, alguns dos HUs geridos pela EB$ERH apresentam vários problemas, tais como:
1) Diversas irregularidades, prejuízos financeiros e serviços insuficientes de saúde aos usuários;
2) Indícios de desperdícios no uso do dinheiro público nas capacitações de gestores da Empresa;
3) Irregularidades nos “concursos” realizados pela EB$ERH (Ex: pacote das avaliações com lacre rompido, provas faltando e possíveis avaliações trocadas);
4) Insatisfação dos empregados contratados pela EB$ERH explicitada através da deflagração de greves (os trabalhadores reclamam dentre outras coisas da precariedade das condições de trabalho - número de trabalhadores insuficientes para bem atender aos pacientes, falta de medicamentos, materiais e insumos em geral, reutilização de materiais descartáveis e não cumprimento de leis trabalhistas);
5)Perda ainda maior da autonomia universitária.

Dessa forma não é difícil de entender porque tem uma ADIn (Ação Direta de Inconstitucionalidade) sob o  nº 4895/2013 contra a EB$ERH tramitando no STF, e porque, nos debates realizados ano passado sobre a EB$ERH, o Ministério Público indicou que entraria com uma representação contra a UFSC caso essa aderisse à Empresa.
Como representação dos TAEs nos órgãos deliberativos, não mediremos esforços para lutar contra essa empresa que privatiza o HU, fragiliza o SUS, intensifica e precariza as relações de trabalho dos servidores e prejudica o atendimento das reais necessidades dos usuários. A próxima sessão do CUn que discutirá a EB$ERH foi marcada para a próxima terça-feira (01/12/2015). É essencial a nossa presença!!!


TAEs em luta contra a EB$ERH!!!

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Governo mantém proposta de 21,3% divididos em quatro anos




Trabalhadores das universidades realizaram mobilização ontem em Brasília buscando pressionar o governo para que melhorasse a proposta oferecida aos trabalhadores públicos federais.

O governo esperava uma resposta à proposta de reajuste que foi de reposição de 21,3% dos salários, mas dividida em quatro anos, com índices abaixo da inflação. Só esse ano, a inflação comerá 9% dos salários e o governo quer pagar apenas 5% em janeiro de 2016. Ou seja, os trabalhadores arrancam já com perdas.

Na reunião de ontem a resposta foi de que não era possível aceitar a proposta governamental. Os trabalhadores queriam que o governo pensasse numa reposição real das perdas desse ano e que qualquer parcelamento de reajuste não passe de dois anos.

Apesar da bonita manifestação que se colocou em frente ao MEC, com mais de 1.500 trabalhadores, o governo se manteve inflexível. Agora é retornar às bases e definir novas estratégias de luta. Os trabalhadores esperam que o governo repense sua proposta e apresente algo mais dentro da realidade.
Conforme informações divulgadas pela imprensa de Brasília, o Presidente da Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas (Anesp) João Aurélio de Sousa, teria apresentado ao governo  uma alternativa de redução de custos que poderia diminuir custos e apontar um reajuste melhor aos trabalhadores públicos.

A proposta consiste na transferência de cargos comissionados para servidores concursados. Atualmente, são 22 mil cargos de confiança, alguns já para servidores. Normalmente, os servidores que ocupam esses cargos recebem 60% do salário. Com a adoção da medida, o governo economizaria 40% nos salários. A proposta está sendo analisada pelo Ministério do Planejamento.


A greve nas universidades segue. Nova reunião foi agendada para o dia 21 de julho, embora o secretário Sérgio Mendonça tenha deixado claro que a presidente Dilma não pretende mudar a proposta.

Estagiários do NDI denunciam irregularidades





Estudantes que realizam estágio no Núcleo de Desenvolvimento Infantil da UFSC procuraram, na tarde dessa terça-feira, o comando de greve dos Técnico-administrativos para discutir problemas referentes ao movimento desencadeado por eles e elas no que diz respeito às funções que desempenham. Segundo os relatos, os estudantes, que são de vários cursos da UFSC, acabam tendo de cumprir uma jornada de trabalho desempenhando funções de ajudante de sala, no mais das vezes sem o acompanhamento de qualquer técnico ou professor, o que seria irregular.

É sabido que os estagiários devem desenvolver tarefas que digam respeito à formação do curso e sempre supervisionadas por alguém do setor. Jamais um estagiário poderia cumprir uma tarefa no lugar de um trabalhador, sem qualquer acompanhamento. Mas, ao que parece, isso é o que mais acontece.

Inconformados com essa situação que é recorrente não apenas no NDI, mas em toda a universidade, os estudantes desses espaço em particular decidiram paralisar as atividades nesse período em que acontece também uma greve dos TAEs e dos professores em nível nacional. Ainda segundo o relado do grupo de estudantes foi tentada uma reunião com o diretor do CED e lhes foi dito que eles não poderiam parar o trabalho pois se assim o fizessem estariam sujeitos a perder o estágio.
Preocupados com a falta de diálogo e vendo suas reivindicações sem amparo na instituição eles procuraram o comando de greve para alguns esclarecimentos.

Os trabalhadores explicaram aos estudantes que o estágio precisa de supervisão e eles podem sim questionar o fato de estarem cumprindo tarefas de trabalhadores concursados, sem qualquer acompanhamento. Também se colocaram à disposição para travar uma luta conjunta, uma vez que é pauta dos trabalhadores a luta pelo respeito aos estudantes e ao seu direito de estudar.